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	<title>josesergio &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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	<title>josesergio &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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		<title>De Corpo Fechado_Video</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 10:27:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="De Corpo Fechado" width="940" height="529" src="https://www.youtube.com/embed/XcxoMQ8Np2U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>A vê-los saltar</title>
		<link>https://josesergio.com/a-ve-los-saltar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 12:14:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[Sempre estas memórias que quando sol começa a sua ginga me vêm à cabeça, penso que é quase Verão, imagino-me pelas ruas a bicicletar, a caminhar, ou simplesmente na Ribeira a vê-los saltar, meninos dispostos a enfrentar o rio gelado a troco de pequenos incentivos deixados pelos turistas.  Dizem que já é Primavera e que ainda agora começou, mas o frio parece não querer ceder, intensifica-se e não há como pará-lo; lutando com os meus xipocos, nestas alturas já penso no Verão, logo, logo estaremos no Verão, e isto enquanto ando à procura da vitamina D, alternada com alguns arrepios à sombra. Mas mesmo chegando o Verão no rio ou no mar nunca chega o Verão, águas sempre geladas. Gosto de ver ou de participar (pouco) nas danças de festival de mergulhos no rio ou mar. Do que gosto muitas das vezes é de estar com água pelos tornozelos a tentar perceber se o frio chega aos ossos, primeiro um pezinho e depois o outro, quase desequilibrado, em pontas de bailarina, até que a água chega à cintura e depois, wow, o dito mergulho, isto quando já não sinto o cérebro e sempre com a tensão de ter de cumprir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre estas memórias que quando sol começa a sua ginga me vêm à cabeça, penso que é quase Verão, imagino-me pelas ruas a bicicletar, a caminhar, ou simplesmente na Ribeira a vê-los saltar, meninos dispostos a enfrentar o rio gelado a troco de pequenos incentivos deixados pelos turistas.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Dizem que já é Primavera e que ainda agora começou, mas o frio parece não querer ceder, intensifica-se e não há como pará-lo; lutando com os meus xipocos, nestas alturas já penso no Verão, logo, logo estaremos no Verão, e isto enquanto ando à procura da vitamina D, alternada com alguns arrepios à sombra. Mas mesmo chegando o Verão no rio ou no mar nunca chega o Verão, águas sempre geladas.</p>
<p>Gosto de ver ou de participar (pouco) nas danças de festival de mergulhos no rio ou mar. Do que gosto muitas das vezes é de estar com água pelos tornozelos a tentar perceber se o frio chega aos ossos, primeiro um pezinho e depois o outro, quase desequilibrado, em pontas de bailarina, até que a água chega à cintura e depois, wow, o dito mergulho, isto quando já não sinto o cérebro e sempre com a tensão de ter de cumprir um dever perante toda aquela audiência estendida no areal. Na realidade, se não fosse essa fantasia com os meus xipocos de que o mundo todo à minha volta está a olhar não sei se não seria mais uma daquelas pessoas de mãos atadas por trás das costas à beira-mar a contemplar, pensativamente, e que no melhor dos calores fica contente com um ou dois mergulhos.</p>
<p>Fico também com uma pequena tristeza, ou inveja, ou um misto das duas, não sei bem explicar o que me vai na cabeça nessas alturas em que vou ouvindo sempre ao meu lado algo do género “já vou no meu sexto/oitavo banho do dia”. Será um pouco de mete nojo. Sempre o mesmo: um mergulho? Enfim, saudades do meu Índico.</p>
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		<title>“Presentes! Africanos e Afrodescendentes no Porto”</title>
		<link>https://josesergio.com/presentes-africanos-e-afrodescendentes-no-porto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2020 15:23:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[People]]></category>
		<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Streets]]></category>
		<category><![CDATA[#africanos #africanbeauty #dgartes #porto #afropean #afropeans #miraforum #blackpower #blacklivesmatter #stopracism]]></category>
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					<description><![CDATA[Presentes! Africanos e Afrodescendentes no Porto é um primeiro esforço para fixar um retrato colectivo, certamente incompleto e aberto a actualizações, de uma comunidade em acelerado crescimento na cidade mas cuja inscrição no espaço público permanece deficitária. E é também um esforço para que, confrontado com este seu talvez inesperado espelho, o Porto possa reconhecer-se — e festejar-se! — como uma cidade não exclusivamente branca. Maioritariamente encontradas ao acaso, em deambulações aleatórias pela cidade, as 40 pessoas que aqui aparecem fotografadas — algumas recém-chegadas, outras aqui nascidas; algumas de passagem, outras profundamente enraizadas — materializam uma comunidade cuja presença física e simbólica foi, até ao momento, pouco documentada, ou mesmo genericamente ignorada. Eu próprio um membro desta multidão, junto-me a elas nesta instalação que pode ser vista como uma manifestação, uma vigília, uma festa, ou apenas como uma assembleia de afroeuropeus, afroportugueses, afroportuenses — sem hífen — na cidade a que chamam casa. A minha nova exposição pode ser vista no MIRA FORUM, rua de Miraflor, 145, de terça a sábado das 15h às 19h. Este projecto teve o apoio da DGArtes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Presentes! Africanos e Afrodescendentes</em> no Porto é um primeiro esforço para fixar um retrato colectivo, certamente incompleto e aberto a actualizações, de uma comunidade em acelerado crescimento na cidade mas cuja inscrição no espaço público permanece deficitária. E é também um esforço para que, confrontado com este seu talvez inesperado espelho, o Porto possa reconhecer-se — e festejar-se! — como uma cidade não exclusivamente branca.</p>
<p>Maioritariamente encontradas ao acaso, em deambulações aleatórias pela cidade, as 40 pessoas que aqui aparecem fotografadas — algumas recém-chegadas, outras aqui nascidas; algumas de passagem, outras profundamente enraizadas — materializam uma comunidade cuja presença física e simbólica foi, até ao momento, pouco documentada, ou mesmo genericamente ignorada. Eu próprio um membro desta multidão, junto-me a elas nesta instalação que pode ser vista como uma manifestação, uma vigília, uma festa, ou apenas como uma assembleia de afroeuropeus, afroportugueses, afroportuenses — sem hífen — na cidade a que chamam casa.</p>
<p>A minha nova exposição pode ser vista no MIRA FORUM, rua de Miraflor, 145, de terça a sábado das 15h às 19h.</p>
<p>Este projecto teve o apoio da <a href="https://www.dgartes.gov.pt">DGArtes</a>.</p>
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		<title>Manu Dibango (1933-2020), até sempre!</title>
		<link>https://josesergio.com/manu-dibango-1933-2020-ate-sempre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 16:05:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[People]]></category>
		<category><![CDATA[#manu dibango]]></category>
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		<title>&#8220;Património da Humanidade&#8221;</title>
		<link>https://josesergio.com/patrimonio-da-humanidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Nov 2019 13:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[People]]></category>
		<category><![CDATA[#caboverde #capeverde #morna]]></category>
		<category><![CDATA[#Cesária Évora]]></category>
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		<title>A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez</title>
		<link>https://josesergio.com/a-viagem-que-guerra-junqueiro-nunca-fez/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Feb 2019 15:11:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 1890, Guerra Junqueiro foi eleito deputado pela segunda vez, representando então o distrito de Quelimane, em Moçambique. Através do espólio depositado na Casa-Museu Guerra Junqueiro, esta exposição ficciona o seu encontro com um território que nunca visitou. A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez é a minha primeira exposição individual. Será inaugurada às 18h do próximo dia 7 de Março, na Casa-Museu Guerra Junqueiro (Rua de Dom Hugo, 32), Porto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1890, Guerra Junqueiro foi eleito deputado pela segunda vez, representando então o distrito de Quelimane, em Moçambique. Através do espólio depositado na Casa-Museu Guerra Junqueiro, esta exposição ficciona o seu encontro com um território que nunca visitou.</p>
<p>A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez é a minha primeira exposição individual. Será inaugurada às 18h do próximo dia 7 de Março, na Casa-Museu Guerra Junqueiro (Rua de Dom Hugo, 32), Porto.</p>
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		<title>Fim de estação?</title>
		<link>https://josesergio.com/fim-de-estacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Oct 2018 17:40:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[Parece que verão está de saída. Mas acho que não me posso queixar da despedida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que verão está de saída. Mas acho que não me posso queixar da despedida.</p>
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		<title>E tu, de onde és?</title>
		<link>https://josesergio.com/e-tu-de-onde-es/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 14:31:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano. &#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser! Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo? África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido. Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230; &#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia. Por que é que temos de ter estes rótulos? Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação? &#8211; De onde és? &#8211; Português [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano.<br />
&#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser!<br />
Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo?<br />
África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido.<br />
Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230;<br />
&#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia.<br />
Por que é que temos de ter estes rótulos?<br />
Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação?<br />
&#8211; De onde és?<br />
&#8211; Português<br />
&#8211; Já nasceste cá? E os teus pais?<br />
Recentemente voltei a Moçambique, e, com esta pronúncia tuga que fui ganhando pelos muitos anos que levo daqui, tive de mostrar o meu BI para provar que era moçambicano.<br />
Naquele momento, veio-me à cabeça algo como “fui deserdado”. Pensei como é difícil para todas as pessoas que tentam entrar, mudar, experimentar ou respirar outros mundos diferentes do que alguém (sabe-se lá quem) apelidou de “normal”, e que de repente, aos olhos dos outros, ficam na terra de ninguém. Termos sempre de escolher o lado da barricada em que ficamos é lixado.<br />
Há uns anos tive de enfrentar este tema com os meus filhos pela primeira vez.<br />
&#8211; Pai, afinal nos somos o quê?<br />
Expliquei que eram um misto do pai e da mãe, e por isso tinham entre outras aparências aqueles cabelos lindos: a combinação do caracol do cabelo do pai e do fio liso da mãe, repetidamente, de forma contínua, resultando numa espiral.<br />
É triste ouvir falar de certos inquéritos nas escolas, mas não é à volta disso que me apetece estar aqui a deambular. Não quero ter de concluir que o lugar de onde vêm chavões como “não sou racista, tão depressa aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto” ainda cá está.<br />
Saímos da selva onde ficaram os elefantes há muitos anos, mas mesmo domesticados somos dados à luta. De galos.</p>
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		<title>My love in Moçambique</title>
		<link>https://josesergio.com/my-love-in-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 15:22:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[#moçambique]]></category>
		<category><![CDATA[#moçambique2017]]></category>
		<category><![CDATA[#mozambique]]></category>
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					<description><![CDATA[Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim! Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha. Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece. Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim!</p>
<p>Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha.<br />
Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece.<br />
Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há uma clara distinção: aparentemente, ou transportam mulheres ou transportam homens, são raros os casos mistos. É certo que são as mulheres as grandes trabalhadoras (líderes da casa, dos filhos, da cozinha, transportando tudo à cabeça, 24h por dia), enquanto o homem só intervém em caso de grandes necessidades como pescar ou outros trabalhos pesados (esta deve ser a desculpa para pouco trabalho e muitos copos…). Bom! Não quero entrar por aí, nem quero ter nenhuma discussão do género! Ou de género!</p>
<p>Vamos concentrar-nos no conceito My Love, que mais dia, menos dia será um objecto de estudo para “exportação”. Seria maning nice! Eu ainda sou do tempo em que havia em Maputo inúmeras empresas de Import/Export, onde muita gente tinha o seu job (em contrapartida, quando cheguei a Lisboa ouvia quase sempre a mesma resposta quando perguntava a quem quer que fosse o que fazia: sou funcionário público).</p>
<p>Quando saí de Moçambique, é certo, já havia este tipo de transporte, simplesmente não estava catalogado como My Love e encontrava-se em vias de extinção, progressivamente substituído pelo Chapa 100 (que custava só 100 meticais, preço fixo). Por isso, qual não foi o meu espanto quando neste regresso a Moçambique me deparo outra vez com as carrinhas de caixa aberta. “Sim, vêem-se muitas, porque como a polícia aperta o cerco aos chapas (papelada, burocracias) os donos preferem estacioná-los para não alimentarem o ‘refresco’”, explicavam-nos os meus sobrinhos&#8230;</p>
<p>E daí as “novas oportunidades”. Sendo que eu a estes, se tivesse voto na matéria, estaria tentado a chamar-lhes carrinhas/barcos biológicos, orgânicos, ou qualquer coisa seguida da palavra “natural”. Seria para mim a única explicação para este retrocesso… Vejo ali uma metáfora: quanto maior a velocidade, maior a nossa crença no abraço.</p>
<p>E é aí, no abraço, que surgem os problemas: para além da respiração boca- a-boca e das apalpadelas, consta que pode também sentir-se a tesão do homem na sua condição humana, ou, dependendo da hora, conviver com os que estão de volta do seu tchilanço (bebedeira) ou com o cheiro fermentado do dia seguinte dos que estão de babalaza (ressaca). Temos de ser ágeis para, sem perder o equilíbrio, nos irmos esquivando das respirações frontais e daqueles que não resistem às pequenas fricções (propositadas ou não). Não é uma ginástica fácil! Já para não falar da atenção que devemos ter para não passarmos o nosso destino…</p>
<p>Mas cada transporte tem a sua história. Nos chapas também temos de ser hábeis para encontrar o melhor lugar, entre as galinhas arrumadas por baixo dos assentos e as mochilas encavalitadas por cima, isto para não levarmos com gente ao colo. Já os machimbombos, os autocarros quase sempre de fabrico chinês que fazem viagens de longo curso à máxima velocidade possível, são caixões ambulantes (ainda bem que só soubemos depois…).</p>
<p>A propósito, acho que deveríamos propor um acordo bilateral com a China a este nível, visto que precisamos de muitos mais machimbombos (de preferência mais seguros). Em contrapartida exportávamos o nosso conceito My Love: sendo aquele um país bastante populoso, só teria vantagens na optimização do espaço físico que lhes falta.<br />
Ainda não visitei a China! Pode ser que um dia destes se proporcione e oiça por aquele lados, na parte de trás de uma carrinha de caixa aberta, ou numa carruagem de metro (porque eles já estão noutro patamar…), o nosso “estamos juntos”.M</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>UM SONHO COM DUAS ESTRELAS</title>
		<link>https://josesergio.com/um-sonho-com-duas-estrelas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Aug 2017 08:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[#asturias2017]]></category>
		<category><![CDATA[#asturiasturismo]]></category>
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		<category><![CDATA[#españa2017]]></category>
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		<category><![CDATA[#spain]]></category>
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					<description><![CDATA[Podia ter tido um sonho destes. Um sonho em que passava a tarde a pescar, e à noite tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, os frutos da minha paciência.  Ou em que mergulhava de cabeça  num conto de fadas e tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, o mar, o rio e a montanha. No dia anterior lá estava lá como um bom pé-rapado dentro de uma tenda num parque de campismo, algo que faço com muito gosto. Mas não há dois dias iguais! Acordei e a minha companhia de viagem disse-me: “Vamos ter mais um dia de estrada, mas este será diferente, não  nos esqueceremos!”. Lá fomos nós, e às tantas, após uma encruzilhada, vimo-nos como que a descer um desfiladeiro. Cheguei a pensar que íamos parar no fim do mundo. Quanto mais descíamos, mais serpenteava a estrada. E quando menos esperávamos (ou quando já não esperávamos…) um  lugar meteu-se na nossa estrada, estávamos lá, tínhamos finalmente chegado ao destino. Casa Marcial, sim, lá estávamos nós. No jardim junto ao parque de estacionamento por onde entrámos, gente muito aprumada naquilo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Podia ter tido um sonho destes. Um sonho em que passava a tarde a pescar, e à noite tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, os frutos da minha paciência.  Ou em que mergulhava de cabeça  num conto de fadas e tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, o mar, o rio e a montanha.</p>
<p>No dia anterior lá estava lá como um bom pé-rapado dentro de uma tenda num parque de campismo, algo que faço com muito gosto. Mas não há dois dias iguais!</p>
<p>Acordei e a minha companhia de viagem disse-me: “Vamos ter mais um dia de estrada, mas este será diferente, não  nos esqueceremos!”.</p>
<p>Lá fomos nós, e às tantas, após uma encruzilhada, vimo-nos como que a descer um desfiladeiro. Cheguei a pensar que íamos parar no fim do mundo. Quanto mais descíamos, mais serpenteava a estrada. E quando menos esperávamos (ou quando já não esperávamos…) um  lugar meteu-se na nossa estrada, estávamos lá, tínhamos finalmente chegado ao destino. Casa Marcial, sim, lá estávamos nós.</p>
<p>No jardim junto ao parque de estacionamento por onde entrámos, gente muito aprumada naquilo que parecia ser um cocktail. Uma empregada do restaurante dirige-se a nós (ou melhor, à nossa roupa já batida por uns dias de praia e de campismo), isto depois de com muita classe e subtileza nos ter tirado as medidas de cima a baixo: “Posso ajudar? Têm alguma reserva?” E eu despenteado e suado, de calções e <em>t-shirt</em>, no registo o mais confortável possível para uma condução de algumas horas.</p>
<p>Passámos por vários controlos.</p>
<p>-Vou ver se ainda temos lugar</p>
<p>-Aqui têm a carta para irem vendo os nossos dois menus antes de subirem</p>
<p>-O preço de cada menu é por pessoa</p>
<p>-Se escolherem a versão reduzida não podem escolher dois menus diferentes</p>
<p>E, claro, se lá chegámos é porque já tinha havido toda essa ponderação.</p>
<p>Continuando. Estávamos no lugar certo, num lugar magnífico, noutro mundo. E pela frente o menu de oito pratos – porque escolhemos a versão reduzida… – com que um chefe com duas estrelas Michelin quis homenagear o mar e a montanha das Astúrias onde cresceu.</p>
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<p><em>MENÚ RAICES</em></p>
<p><em>Crujiente de algas con gel de limon</em></p>
<p><em>Ostras con Jugo de Codium y Calamansi</em></p>
<p><em>Lengua de Bacalao, Kimchi, Cebolleta y Ajo Negro</em></p>
<p><em>                  Hoja de Parra</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Yema de huevo, maíz y jugo de salazón</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Almeja, Licuado de Perejil y Algas</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Ventresca de Bonito con Piel de Sardina</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Ensalada de Merluza con su holandesa y Huevas Secas</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Lengua con Mole de Lentejas y Garrapiñados</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Arroz con Pitu de Caleya</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Arroz con leche a la manera tradicional</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Tociníllo de Muscovado, Manzana y Aceituna Negra</em></p>
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<p>(Com uma pequena ressalva em jeito de rodapé: “<em>El pan se servirá a partir de la yema de huevo</em>”)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aquilo que para mim foi um <em>workshop</em> começou com comida servida em cima de raízes, de troncos de árvore, de enormes conchas, de cabeças de bacalhau e de sei lá mais o quê!</p>
<p>O corrupio de empregados, entre põe pratos, tira pratos, muda de talheres, dobra guardanapos… Antes de cada prato, uma breve descrição sobre como o chefe transferiu para cada criação a sua relação com aquela natureza e aquela região.</p>
<p>A sucessão de pratos nunca mais parava. E quando pensávamos que tinha acabado, em geral com o clássico</p>
<p>&#8211;<em>Postre</em>?</p>
<p>-Café!</p>
<p>, uma “pequena” surpresa&#8230; Um sortido de docinhos tradicionais das Astúrias e um licor de avelã num tubo de ensaio. Como se ainda tivéssemos barriga…</p>
<p>Tudo para lá de bom. Afinal estávamos no restaurante (e casa de família!) de Nacho Manzano. E, pelo meio de todos aquele sabores nunca antes imaginados, houve direito a visita do próprio chefe à mesa, queria “a nossa aprovação” do novo prato em estreia naquele dia: um casamento entre três dos peixes mais gordos do Cantábrico, a sardinha, a anchova e o atum bonito.</p>
<p>Nem sequer sei que palavras me saíram, isto em relação ao prato; depois, não me lembro bem, houve ainda alguns segundos de conversa e só depois de Nacho Manzano desaparecer da nossa vista pensei em voz alta:</p>
<p>“A <em>selfie</em>!”, esqueci-me de pedir uma <em>selfie</em> com o chefe.</p>
<p>Talvez devesse ter tentado combinar uma sessão para lhe fazer um retrato, um “retrato criativo” a combinar com os seus pratos criativos. Mania de que sou fotógrafo! Mas em vez de ficar gravado num cartão de memória este dia vai ficar tatuado na minha própria memória.</p>
<p>Ah, e trouxe comigo um exemplar do menu, talvez para emoldurar. E para ter a certeza de que o meu sonho com duas estrelas foi mesmo realidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Obrigado!)</p>
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