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	<title>Viagens &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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	<title>Viagens &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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		<title>My love in Moçambique</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 15:22:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim! Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha. Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece. Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim!</p>
<p>Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha.<br />
Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece.<br />
Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há uma clara distinção: aparentemente, ou transportam mulheres ou transportam homens, são raros os casos mistos. É certo que são as mulheres as grandes trabalhadoras (líderes da casa, dos filhos, da cozinha, transportando tudo à cabeça, 24h por dia), enquanto o homem só intervém em caso de grandes necessidades como pescar ou outros trabalhos pesados (esta deve ser a desculpa para pouco trabalho e muitos copos…). Bom! Não quero entrar por aí, nem quero ter nenhuma discussão do género! Ou de género!</p>
<p>Vamos concentrar-nos no conceito My Love, que mais dia, menos dia será um objecto de estudo para “exportação”. Seria maning nice! Eu ainda sou do tempo em que havia em Maputo inúmeras empresas de Import/Export, onde muita gente tinha o seu job (em contrapartida, quando cheguei a Lisboa ouvia quase sempre a mesma resposta quando perguntava a quem quer que fosse o que fazia: sou funcionário público).</p>
<p>Quando saí de Moçambique, é certo, já havia este tipo de transporte, simplesmente não estava catalogado como My Love e encontrava-se em vias de extinção, progressivamente substituído pelo Chapa 100 (que custava só 100 meticais, preço fixo). Por isso, qual não foi o meu espanto quando neste regresso a Moçambique me deparo outra vez com as carrinhas de caixa aberta. “Sim, vêem-se muitas, porque como a polícia aperta o cerco aos chapas (papelada, burocracias) os donos preferem estacioná-los para não alimentarem o ‘refresco’”, explicavam-nos os meus sobrinhos&#8230;</p>
<p>E daí as “novas oportunidades”. Sendo que eu a estes, se tivesse voto na matéria, estaria tentado a chamar-lhes carrinhas/barcos biológicos, orgânicos, ou qualquer coisa seguida da palavra “natural”. Seria para mim a única explicação para este retrocesso… Vejo ali uma metáfora: quanto maior a velocidade, maior a nossa crença no abraço.</p>
<p>E é aí, no abraço, que surgem os problemas: para além da respiração boca- a-boca e das apalpadelas, consta que pode também sentir-se a tesão do homem na sua condição humana, ou, dependendo da hora, conviver com os que estão de volta do seu tchilanço (bebedeira) ou com o cheiro fermentado do dia seguinte dos que estão de babalaza (ressaca). Temos de ser ágeis para, sem perder o equilíbrio, nos irmos esquivando das respirações frontais e daqueles que não resistem às pequenas fricções (propositadas ou não). Não é uma ginástica fácil! Já para não falar da atenção que devemos ter para não passarmos o nosso destino…</p>
<p>Mas cada transporte tem a sua história. Nos chapas também temos de ser hábeis para encontrar o melhor lugar, entre as galinhas arrumadas por baixo dos assentos e as mochilas encavalitadas por cima, isto para não levarmos com gente ao colo. Já os machimbombos, os autocarros quase sempre de fabrico chinês que fazem viagens de longo curso à máxima velocidade possível, são caixões ambulantes (ainda bem que só soubemos depois…).</p>
<p>A propósito, acho que deveríamos propor um acordo bilateral com a China a este nível, visto que precisamos de muitos mais machimbombos (de preferência mais seguros). Em contrapartida exportávamos o nosso conceito My Love: sendo aquele um país bastante populoso, só teria vantagens na optimização do espaço físico que lhes falta.<br />
Ainda não visitei a China! Pode ser que um dia destes se proporcione e oiça por aquele lados, na parte de trás de uma carrinha de caixa aberta, ou numa carruagem de metro (porque eles já estão noutro patamar…), o nosso “estamos juntos”.M</p>
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		<title>UM SONHO COM DUAS ESTRELAS</title>
		<link>https://josesergio.com/um-sonho-com-duas-estrelas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Aug 2017 08:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[#asturias2017]]></category>
		<category><![CDATA[#asturiasturismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Podia ter tido um sonho destes. Um sonho em que passava a tarde a pescar, e à noite tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, os frutos da minha paciência.  Ou em que mergulhava de cabeça  num conto de fadas e tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, o mar, o rio e a montanha. No dia anterior lá estava lá como um bom pé-rapado dentro de uma tenda num parque de campismo, algo que faço com muito gosto. Mas não há dois dias iguais! Acordei e a minha companhia de viagem disse-me: “Vamos ter mais um dia de estrada, mas este será diferente, não  nos esqueceremos!”. Lá fomos nós, e às tantas, após uma encruzilhada, vimo-nos como que a descer um desfiladeiro. Cheguei a pensar que íamos parar no fim do mundo. Quanto mais descíamos, mais serpenteava a estrada. E quando menos esperávamos (ou quando já não esperávamos…) um  lugar meteu-se na nossa estrada, estávamos lá, tínhamos finalmente chegado ao destino. Casa Marcial, sim, lá estávamos nós. No jardim junto ao parque de estacionamento por onde entrámos, gente muito aprumada naquilo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Podia ter tido um sonho destes. Um sonho em que passava a tarde a pescar, e à noite tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, os frutos da minha paciência.  Ou em que mergulhava de cabeça  num conto de fadas e tinha em cima da mesa, com um garfo de um lado e uma faca do outro, o mar, o rio e a montanha.</p>
<p>No dia anterior lá estava lá como um bom pé-rapado dentro de uma tenda num parque de campismo, algo que faço com muito gosto. Mas não há dois dias iguais!</p>
<p>Acordei e a minha companhia de viagem disse-me: “Vamos ter mais um dia de estrada, mas este será diferente, não  nos esqueceremos!”.</p>
<p>Lá fomos nós, e às tantas, após uma encruzilhada, vimo-nos como que a descer um desfiladeiro. Cheguei a pensar que íamos parar no fim do mundo. Quanto mais descíamos, mais serpenteava a estrada. E quando menos esperávamos (ou quando já não esperávamos…) um  lugar meteu-se na nossa estrada, estávamos lá, tínhamos finalmente chegado ao destino. Casa Marcial, sim, lá estávamos nós.</p>
<p>No jardim junto ao parque de estacionamento por onde entrámos, gente muito aprumada naquilo que parecia ser um cocktail. Uma empregada do restaurante dirige-se a nós (ou melhor, à nossa roupa já batida por uns dias de praia e de campismo), isto depois de com muita classe e subtileza nos ter tirado as medidas de cima a baixo: “Posso ajudar? Têm alguma reserva?” E eu despenteado e suado, de calções e <em>t-shirt</em>, no registo o mais confortável possível para uma condução de algumas horas.</p>
<p>Passámos por vários controlos.</p>
<p>-Vou ver se ainda temos lugar</p>
<p>-Aqui têm a carta para irem vendo os nossos dois menus antes de subirem</p>
<p>-O preço de cada menu é por pessoa</p>
<p>-Se escolherem a versão reduzida não podem escolher dois menus diferentes</p>
<p>E, claro, se lá chegámos é porque já tinha havido toda essa ponderação.</p>
<p>Continuando. Estávamos no lugar certo, num lugar magnífico, noutro mundo. E pela frente o menu de oito pratos – porque escolhemos a versão reduzida… – com que um chefe com duas estrelas Michelin quis homenagear o mar e a montanha das Astúrias onde cresceu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>MENÚ RAICES</em></p>
<p><em>Crujiente de algas con gel de limon</em></p>
<p><em>Ostras con Jugo de Codium y Calamansi</em></p>
<p><em>Lengua de Bacalao, Kimchi, Cebolleta y Ajo Negro</em></p>
<p><em>                  Hoja de Parra</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Yema de huevo, maíz y jugo de salazón</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Almeja, Licuado de Perejil y Algas</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Ventresca de Bonito con Piel de Sardina</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Ensalada de Merluza con su holandesa y Huevas Secas</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Lengua con Mole de Lentejas y Garrapiñados</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Arroz con Pitu de Caleya</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Arroz con leche a la manera tradicional</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Tociníllo de Muscovado, Manzana y Aceituna Negra</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Com uma pequena ressalva em jeito de rodapé: “<em>El pan se servirá a partir de la yema de huevo</em>”)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aquilo que para mim foi um <em>workshop</em> começou com comida servida em cima de raízes, de troncos de árvore, de enormes conchas, de cabeças de bacalhau e de sei lá mais o quê!</p>
<p>O corrupio de empregados, entre põe pratos, tira pratos, muda de talheres, dobra guardanapos… Antes de cada prato, uma breve descrição sobre como o chefe transferiu para cada criação a sua relação com aquela natureza e aquela região.</p>
<p>A sucessão de pratos nunca mais parava. E quando pensávamos que tinha acabado, em geral com o clássico</p>
<p>&#8211;<em>Postre</em>?</p>
<p>-Café!</p>
<p>, uma “pequena” surpresa&#8230; Um sortido de docinhos tradicionais das Astúrias e um licor de avelã num tubo de ensaio. Como se ainda tivéssemos barriga…</p>
<p>Tudo para lá de bom. Afinal estávamos no restaurante (e casa de família!) de Nacho Manzano. E, pelo meio de todos aquele sabores nunca antes imaginados, houve direito a visita do próprio chefe à mesa, queria “a nossa aprovação” do novo prato em estreia naquele dia: um casamento entre três dos peixes mais gordos do Cantábrico, a sardinha, a anchova e o atum bonito.</p>
<p>Nem sequer sei que palavras me saíram, isto em relação ao prato; depois, não me lembro bem, houve ainda alguns segundos de conversa e só depois de Nacho Manzano desaparecer da nossa vista pensei em voz alta:</p>
<p>“A <em>selfie</em>!”, esqueci-me de pedir uma <em>selfie</em> com o chefe.</p>
<p>Talvez devesse ter tentado combinar uma sessão para lhe fazer um retrato, um “retrato criativo” a combinar com os seus pratos criativos. Mania de que sou fotógrafo! Mas em vez de ficar gravado num cartão de memória este dia vai ficar tatuado na minha própria memória.</p>
<p>Ah, e trouxe comigo um exemplar do menu, talvez para emoldurar. E para ter a certeza de que o meu sonho com duas estrelas foi mesmo realidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Obrigado!)</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Guimarães</title>
		<link>https://josesergio.com/guimaraes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Feb 2017 16:44:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[#Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[#portugal #museum]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
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		<title>Lichile, camaradas!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2017 11:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
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		<category><![CDATA[#viagens #caboverde #capeverde #photographs #photography]]></category>
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					<description><![CDATA[Sempre me disseram para ter cuidado com os caminhos da vida. A vida é assim! Aqui estou! No interior das minhas sete vidas! Se é que se pode ter mais do que uma. Aliás, podemos ter sortes diferentes, mas não podemos é deixar de sonhar. Se me perguntarem qual era o meu sonho em criança, sinceramente não me lembro, creio que tudo menos a fotografia. &#8211; &#8220;Ser menino é estar cheio de céu por cima&#8221; (Mia Couto) Quero continuar a ser esse menino&#8230; que mesmo sem ter sonhado, acordou dentro desse sonho que é a fotografia. Escolhi para o início desta aventura esta imagem a pensar na infância, na infância que podia ter sido a de qualquer ser à espera da sua sorte. Num lugar onde nos ensinam a ter sempre um sorriso para quem nos visita e onde aprendemos que a carne ou a fruta não nascem no supermercado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre me disseram para ter cuidado com os caminhos da vida.</p>
<p>A vida é assim! Aqui estou! No interior das minhas sete vidas! Se é que se pode ter mais do que uma.</p>
<p>Aliás, podemos ter sortes diferentes, mas não podemos é deixar de sonhar.</p>
<p>Se me perguntarem qual era o meu sonho em criança, sinceramente não me lembro, creio que tudo menos a fotografia.</p>
<p>&#8211; &#8220;Ser menino é estar cheio de céu por cima&#8221; (Mia Couto)</p>
<p>Quero continuar a ser esse menino&#8230; que mesmo sem ter sonhado, acordou dentro desse sonho que é a fotografia.</p>
<p>Escolhi para o início desta aventura esta imagem a pensar na infância, na infância que podia ter sido a de qualquer ser à espera da sua sorte. Num lugar onde nos ensinam a ter sempre um sorriso para quem nos visita e onde aprendemos que a carne ou a fruta não nascem no supermercado.</p>
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