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	<title>#&#8221;Cacilhas&#8221; &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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		<title>Copo com vista para a cidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Mar 2017 15:33:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#"Cacilhas"]]></category>
		<category><![CDATA[#Lisboa]]></category>
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					<description><![CDATA[Depende de que lado bebemos um copo de vinho! “Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção” – Miguel Torga. Gosto de beber um copo! Confesso, e assumo, sou aquela pessoa com espírito de rico em corpo de pobre! Gosto de escolher e aconselhar bem, bons lugares com uma boa relação preço/serviço. Convite de amigos para um concerto de jazz, pelo caminho alguém sugere um copo antes: &#8211; E porque não numa típica casa regional, que nos saia em conta (isto, claro, em Lisboa)? Fomos a uma casa com sabores alentejanos, “Lisboa na moda”, o interior estava a abarrotar, retomámos a calçada, muito turística, e qual o espanto!? A casa tem uma parte não só virada para a calçada mas também com uma pequena esplanada, vimos uma mesa vazar&#8230; zás!, a nossa oportunidade, todos muito felizes com a nossa reacção rápida. Veio a carta de vinhos, e claro que para nós não havia duvidas, era o da casa e pelo sim, pelo não, certificámo-nos de que era mesmo o da casa. &#8211; Quatro copos de vinho, por favor! Era a gula por um copo para o caminho antes do jantar, e depois o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depende de que lado bebemos um copo de vinho!</p>
<p>“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção” – Miguel Torga.</p>
<p>Gosto de beber um copo! Confesso, e assumo, sou aquela pessoa com espírito de rico em corpo de pobre! Gosto de escolher e aconselhar bem, bons lugares com uma boa relação preço/serviço.</p>
<p>Convite de amigos para um concerto de jazz, pelo caminho alguém sugere um copo antes:</p>
<p>&#8211; E porque não numa típica casa regional, que nos saia em conta (isto, claro, em Lisboa)?</p>
<p>Fomos a uma casa com sabores alentejanos, “Lisboa na moda”, o interior estava a abarrotar, retomámos a calçada, muito turística, e qual o espanto!? A casa tem uma parte não só virada para a calçada mas também com uma pequena esplanada, vimos uma mesa vazar&#8230; zás!, a nossa oportunidade, todos muito felizes com a nossa reacção rápida.</p>
<p>Veio a carta de vinhos, e claro que para nós não havia duvidas, era o da casa e pelo sim, pelo não, certificámo-nos de que era mesmo o da casa.</p>
<p>&#8211; Quatro copos de vinho, por favor!</p>
<p>Era a gula por um copo para o caminho antes do jantar, e depois o jazz.</p>
<p>&#8211; A conta, por favor!</p>
<p>&#8211; Oito euros por copo.</p>
<p>Estes alentejanos com a mania das anedotas, pensei eu… Normalmente o que oiço são anedotas sobre os alentejanos e não o contrário, continuava eu na minha reflexão enquanto esperávamos pelo senhor que nos serviu para podermos contestar.</p>
<p>Estávamos a falar já com o senhor responsável pelas cobranças, uma espécie de “gerente”, pois quem nos serviu continuava a abastecer o resto da mesas.</p>
<p>&#8211; Sim, esse é o preço.</p>
<p>&#8211; Impossível, o copo de vinho da casa são 2.50 Euros, é o que esta na vossa carta.</p>
<p>&#8211; Não, servi o melhor, nenhum dos senhores se opôs ao beber, vão ter de pagar.</p>
<p>Que era um dos mais caros, e sem uma consulta previa, sem direito a mostrarem a garrafa para o nosso consentimento.</p>
<p>Estalou o verniz.</p>
<p>&#8211; Nós estamos em Portugal e não nos tome por turistas, chamamos a policia se for preciso, ou chame o senhor, não vamos pagar esse preço… – argumentávamos.</p>
<p>Naquele momento pensei: só se for por minha causa, sou o único preto, e “África está na moda”; pior, era o único “convidado penetra”, pois gozo do estatuto de “desempregado freelancer”.</p>
<p>&#8211; Já sei, vocês, para além de não quererem pagar, são daqueles que vão exigir a factura com o número de contribuinte.</p>
<p>É preciso ter cuidado quando andamos pela calçada portuguesa, pode ser algo escorregadio. Se não temos cuidado, acabamos descalços.</p>
<p>Pois eu vou-me ficar pelas tascas.</p>
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