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	<title>#moçambique &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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	<title>#moçambique &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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		<title>A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Feb 2019 15:11:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em 1890, Guerra Junqueiro foi eleito deputado pela segunda vez, representando então o distrito de Quelimane, em Moçambique. Através do espólio depositado na Casa-Museu Guerra Junqueiro, esta exposição ficciona o seu encontro com um território que nunca visitou. A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez é a minha primeira exposição individual. Será inaugurada às 18h do próximo dia 7 de Março, na Casa-Museu Guerra Junqueiro (Rua de Dom Hugo, 32), Porto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1890, Guerra Junqueiro foi eleito deputado pela segunda vez, representando então o distrito de Quelimane, em Moçambique. Através do espólio depositado na Casa-Museu Guerra Junqueiro, esta exposição ficciona o seu encontro com um território que nunca visitou.</p>
<p>A viagem que Guerra Junqueiro nunca fez é a minha primeira exposição individual. Será inaugurada às 18h do próximo dia 7 de Março, na Casa-Museu Guerra Junqueiro (Rua de Dom Hugo, 32), Porto.</p>
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		<title>E tu, de onde és?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 14:31:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano. &#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser! Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo? África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido. Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230; &#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia. Por que é que temos de ter estes rótulos? Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação? &#8211; De onde és? &#8211; Português [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano.<br />
&#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser!<br />
Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo?<br />
África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido.<br />
Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230;<br />
&#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia.<br />
Por que é que temos de ter estes rótulos?<br />
Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação?<br />
&#8211; De onde és?<br />
&#8211; Português<br />
&#8211; Já nasceste cá? E os teus pais?<br />
Recentemente voltei a Moçambique, e, com esta pronúncia tuga que fui ganhando pelos muitos anos que levo daqui, tive de mostrar o meu BI para provar que era moçambicano.<br />
Naquele momento, veio-me à cabeça algo como “fui deserdado”. Pensei como é difícil para todas as pessoas que tentam entrar, mudar, experimentar ou respirar outros mundos diferentes do que alguém (sabe-se lá quem) apelidou de “normal”, e que de repente, aos olhos dos outros, ficam na terra de ninguém. Termos sempre de escolher o lado da barricada em que ficamos é lixado.<br />
Há uns anos tive de enfrentar este tema com os meus filhos pela primeira vez.<br />
&#8211; Pai, afinal nos somos o quê?<br />
Expliquei que eram um misto do pai e da mãe, e por isso tinham entre outras aparências aqueles cabelos lindos: a combinação do caracol do cabelo do pai e do fio liso da mãe, repetidamente, de forma contínua, resultando numa espiral.<br />
É triste ouvir falar de certos inquéritos nas escolas, mas não é à volta disso que me apetece estar aqui a deambular. Não quero ter de concluir que o lugar de onde vêm chavões como “não sou racista, tão depressa aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto” ainda cá está.<br />
Saímos da selva onde ficaram os elefantes há muitos anos, mas mesmo domesticados somos dados à luta. De galos.</p>
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		<title>My love in Moçambique</title>
		<link>https://josesergio.com/my-love-in-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2017 15:22:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[#moçambique]]></category>
		<category><![CDATA[#moçambique2017]]></category>
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					<description><![CDATA[Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim! Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha. Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece. Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sim! Gosto do conceito! Sim! E o meu Moçambique é escusado dizer que amo, como é lógico, sem sobra de dúvida que sim!</p>
<p>Mas já que me sentei ao computador para falar do My Love, vou tentar traduzir essa maneira muito particular de estar dentro de um transporte: abraços muito apertados ao próximo, e, por sua vez, do próximo também ao seu próximo, (quase) todos em pé até preenchermos os espaços vazios de uma carrinha ou de um barco, afinal é uma questão de sobrevivência, pois só assim, completamente cheio, o transporte terá ordem de marcha.<br />
Assim nos fazemos transportar em Moçambique. Amor ao próximo do verdadeiro, abraços e bem fortes são a regra; em caso de incumprimento, podemos correr o risco de ir parar ao alcatrão, debaixo do carro em que seguíamos e atropelados pelo próprio, ou então ao mar, trucidados pelas hélices do barco que nos transportava. Acontece.<br />
Chamam-se My Love as carrinhas de caixa aberta que servem de meio de transporte alternativo ao vulgo Chapa 100 (uma espécie de minibus), também este alternativo ao machimbombo (autocarro) e aos TPM (Transportes Públicos de Moçambique). O mesmo se pode aplicar aos barcos, diria eu, sendo que nos barcos há uma clara distinção: aparentemente, ou transportam mulheres ou transportam homens, são raros os casos mistos. É certo que são as mulheres as grandes trabalhadoras (líderes da casa, dos filhos, da cozinha, transportando tudo à cabeça, 24h por dia), enquanto o homem só intervém em caso de grandes necessidades como pescar ou outros trabalhos pesados (esta deve ser a desculpa para pouco trabalho e muitos copos…). Bom! Não quero entrar por aí, nem quero ter nenhuma discussão do género! Ou de género!</p>
<p>Vamos concentrar-nos no conceito My Love, que mais dia, menos dia será um objecto de estudo para “exportação”. Seria maning nice! Eu ainda sou do tempo em que havia em Maputo inúmeras empresas de Import/Export, onde muita gente tinha o seu job (em contrapartida, quando cheguei a Lisboa ouvia quase sempre a mesma resposta quando perguntava a quem quer que fosse o que fazia: sou funcionário público).</p>
<p>Quando saí de Moçambique, é certo, já havia este tipo de transporte, simplesmente não estava catalogado como My Love e encontrava-se em vias de extinção, progressivamente substituído pelo Chapa 100 (que custava só 100 meticais, preço fixo). Por isso, qual não foi o meu espanto quando neste regresso a Moçambique me deparo outra vez com as carrinhas de caixa aberta. “Sim, vêem-se muitas, porque como a polícia aperta o cerco aos chapas (papelada, burocracias) os donos preferem estacioná-los para não alimentarem o ‘refresco’”, explicavam-nos os meus sobrinhos&#8230;</p>
<p>E daí as “novas oportunidades”. Sendo que eu a estes, se tivesse voto na matéria, estaria tentado a chamar-lhes carrinhas/barcos biológicos, orgânicos, ou qualquer coisa seguida da palavra “natural”. Seria para mim a única explicação para este retrocesso… Vejo ali uma metáfora: quanto maior a velocidade, maior a nossa crença no abraço.</p>
<p>E é aí, no abraço, que surgem os problemas: para além da respiração boca- a-boca e das apalpadelas, consta que pode também sentir-se a tesão do homem na sua condição humana, ou, dependendo da hora, conviver com os que estão de volta do seu tchilanço (bebedeira) ou com o cheiro fermentado do dia seguinte dos que estão de babalaza (ressaca). Temos de ser ágeis para, sem perder o equilíbrio, nos irmos esquivando das respirações frontais e daqueles que não resistem às pequenas fricções (propositadas ou não). Não é uma ginástica fácil! Já para não falar da atenção que devemos ter para não passarmos o nosso destino…</p>
<p>Mas cada transporte tem a sua história. Nos chapas também temos de ser hábeis para encontrar o melhor lugar, entre as galinhas arrumadas por baixo dos assentos e as mochilas encavalitadas por cima, isto para não levarmos com gente ao colo. Já os machimbombos, os autocarros quase sempre de fabrico chinês que fazem viagens de longo curso à máxima velocidade possível, são caixões ambulantes (ainda bem que só soubemos depois…).</p>
<p>A propósito, acho que deveríamos propor um acordo bilateral com a China a este nível, visto que precisamos de muitos mais machimbombos (de preferência mais seguros). Em contrapartida exportávamos o nosso conceito My Love: sendo aquele um país bastante populoso, só teria vantagens na optimização do espaço físico que lhes falta.<br />
Ainda não visitei a China! Pode ser que um dia destes se proporcione e oiça por aquele lados, na parte de trás de uma carrinha de caixa aberta, ou numa carruagem de metro (porque eles já estão noutro patamar…), o nosso “estamos juntos”.M</p>
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