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	<title>#portugal &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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	<title>#portugal &#8211; JOSÉ SÉRGIO</title>
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		<title>E tu, de onde és?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 14:31:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#africa]]></category>
		<category><![CDATA[#moçambique]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano. &#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser! Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo? África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido. Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230; &#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia. Por que é que temos de ter estes rótulos? Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação? &#8211; De onde és? &#8211; Português [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Eu! Eu sou o elefante africano.<br />
&#8211; Ah! Com essa elegância asiática, não te diria de África, mas olhando bem talvez, de perfil tens traços indianos e vendo essas orelhas&#8230; sim, pode ser!<br />
Este é o tipo de conversa que poderia considerar razoável. No mundo dos elefantes, as pequenas diferenças estão de facto nas orelhas e nos marfins (o africano é maior do que o asiático ou indiano, como é conhecido). E no nosso mundo?<br />
África, ou ser africano, está na moda por esta Europa fora. Dependendo, é claro, do tal africano. Convém ser artista, modelo ou futebolista: se não couberes dentro dessa bolha chamada status, cais no lado marginal do imigrante, e aí estás fodido.<br />
Feições indianas, cabelo de africana, pele de europeia. Blá! Blá! Blá!&#8230;<br />
&#8211; O meu editor vende-me como angolano/africano, e não como português, porque é menos sexy: Kalaf Epalanga, há dias na Feira do Livro do Porto, num debate com Telma Tvon, moderado por Sheila Khan, um painel todo ele africano (ou europeu?) perante uma plateia maioritariamente europeia.<br />
Por que é que temos de ter estes rótulos?<br />
Por que é que primeiro temos de passar por essa aprovação?<br />
&#8211; De onde és?<br />
&#8211; Português<br />
&#8211; Já nasceste cá? E os teus pais?<br />
Recentemente voltei a Moçambique, e, com esta pronúncia tuga que fui ganhando pelos muitos anos que levo daqui, tive de mostrar o meu BI para provar que era moçambicano.<br />
Naquele momento, veio-me à cabeça algo como “fui deserdado”. Pensei como é difícil para todas as pessoas que tentam entrar, mudar, experimentar ou respirar outros mundos diferentes do que alguém (sabe-se lá quem) apelidou de “normal”, e que de repente, aos olhos dos outros, ficam na terra de ninguém. Termos sempre de escolher o lado da barricada em que ficamos é lixado.<br />
Há uns anos tive de enfrentar este tema com os meus filhos pela primeira vez.<br />
&#8211; Pai, afinal nos somos o quê?<br />
Expliquei que eram um misto do pai e da mãe, e por isso tinham entre outras aparências aqueles cabelos lindos: a combinação do caracol do cabelo do pai e do fio liso da mãe, repetidamente, de forma contínua, resultando numa espiral.<br />
É triste ouvir falar de certos inquéritos nas escolas, mas não é à volta disso que me apetece estar aqui a deambular. Não quero ter de concluir que o lugar de onde vêm chavões como “não sou racista, tão depressa aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto” ainda cá está.<br />
Saímos da selva onde ficaram os elefantes há muitos anos, mas mesmo domesticados somos dados à luta. De galos.</p>
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		<title>NOS BASTIDORES DA CIDADE</title>
		<link>https://josesergio.com/nos-bastidores-da-cidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Apr 2017 10:47:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#porto]]></category>
		<category><![CDATA[#portugal]]></category>
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		<title>Copo com vista para a cidade</title>
		<link>https://josesergio.com/copo-com-vista-para-a-cidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Mar 2017 15:33:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#"Cacilhas"]]></category>
		<category><![CDATA[#Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[#Photographer]]></category>
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					<description><![CDATA[Depende de que lado bebemos um copo de vinho! “Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção” – Miguel Torga. Gosto de beber um copo! Confesso, e assumo, sou aquela pessoa com espírito de rico em corpo de pobre! Gosto de escolher e aconselhar bem, bons lugares com uma boa relação preço/serviço. Convite de amigos para um concerto de jazz, pelo caminho alguém sugere um copo antes: &#8211; E porque não numa típica casa regional, que nos saia em conta (isto, claro, em Lisboa)? Fomos a uma casa com sabores alentejanos, “Lisboa na moda”, o interior estava a abarrotar, retomámos a calçada, muito turística, e qual o espanto!? A casa tem uma parte não só virada para a calçada mas também com uma pequena esplanada, vimos uma mesa vazar&#8230; zás!, a nossa oportunidade, todos muito felizes com a nossa reacção rápida. Veio a carta de vinhos, e claro que para nós não havia duvidas, era o da casa e pelo sim, pelo não, certificámo-nos de que era mesmo o da casa. &#8211; Quatro copos de vinho, por favor! Era a gula por um copo para o caminho antes do jantar, e depois o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depende de que lado bebemos um copo de vinho!</p>
<p>“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção” – Miguel Torga.</p>
<p>Gosto de beber um copo! Confesso, e assumo, sou aquela pessoa com espírito de rico em corpo de pobre! Gosto de escolher e aconselhar bem, bons lugares com uma boa relação preço/serviço.</p>
<p>Convite de amigos para um concerto de jazz, pelo caminho alguém sugere um copo antes:</p>
<p>&#8211; E porque não numa típica casa regional, que nos saia em conta (isto, claro, em Lisboa)?</p>
<p>Fomos a uma casa com sabores alentejanos, “Lisboa na moda”, o interior estava a abarrotar, retomámos a calçada, muito turística, e qual o espanto!? A casa tem uma parte não só virada para a calçada mas também com uma pequena esplanada, vimos uma mesa vazar&#8230; zás!, a nossa oportunidade, todos muito felizes com a nossa reacção rápida.</p>
<p>Veio a carta de vinhos, e claro que para nós não havia duvidas, era o da casa e pelo sim, pelo não, certificámo-nos de que era mesmo o da casa.</p>
<p>&#8211; Quatro copos de vinho, por favor!</p>
<p>Era a gula por um copo para o caminho antes do jantar, e depois o jazz.</p>
<p>&#8211; A conta, por favor!</p>
<p>&#8211; Oito euros por copo.</p>
<p>Estes alentejanos com a mania das anedotas, pensei eu… Normalmente o que oiço são anedotas sobre os alentejanos e não o contrário, continuava eu na minha reflexão enquanto esperávamos pelo senhor que nos serviu para podermos contestar.</p>
<p>Estávamos a falar já com o senhor responsável pelas cobranças, uma espécie de “gerente”, pois quem nos serviu continuava a abastecer o resto da mesas.</p>
<p>&#8211; Sim, esse é o preço.</p>
<p>&#8211; Impossível, o copo de vinho da casa são 2.50 Euros, é o que esta na vossa carta.</p>
<p>&#8211; Não, servi o melhor, nenhum dos senhores se opôs ao beber, vão ter de pagar.</p>
<p>Que era um dos mais caros, e sem uma consulta previa, sem direito a mostrarem a garrafa para o nosso consentimento.</p>
<p>Estalou o verniz.</p>
<p>&#8211; Nós estamos em Portugal e não nos tome por turistas, chamamos a policia se for preciso, ou chame o senhor, não vamos pagar esse preço… – argumentávamos.</p>
<p>Naquele momento pensei: só se for por minha causa, sou o único preto, e “África está na moda”; pior, era o único “convidado penetra”, pois gozo do estatuto de “desempregado freelancer”.</p>
<p>&#8211; Já sei, vocês, para além de não quererem pagar, são daqueles que vão exigir a factura com o número de contribuinte.</p>
<p>É preciso ter cuidado quando andamos pela calçada portuguesa, pode ser algo escorregadio. Se não temos cuidado, acabamos descalços.</p>
<p>Pois eu vou-me ficar pelas tascas.</p>
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		<title>Swag de Inverno</title>
		<link>https://josesergio.com/swag-de-inverno/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[josesergio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Feb 2017 17:10:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[#love]]></category>
		<category><![CDATA[#portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[Gosto destes dias soalheiros! A única coisa que peço, como diria a qualquer um que me entrasse porta adentro, é que quando chegarem peçam licença. Se não é muita areia para a minha cabeça, é muito pisca-pisca. Já sei que a Primavera só começa em Março. Todos os dias em que saio de casa penso que estamos no Inverno, claro, e toca a encasacar-me; a meio do dia preciso quase de uma mala para a roupa que levo porque já não aguento o calor. Ao sol, claro! À sombra é outra conversa! Verdade que só ao sol vejo o pessoal a “tostar”. Talvez seja um problema meu. Ou a falta do swag. Sim porque em casa tenho uma turma com muito swag, e um dos da turma pertence à ala dos que não põem casacos. Porque há varias categorias dentro do swag (se é que eu percebo alguma coisa do assunto). Mas quando se cruzam uns com os outros quase que só de t shirt não se ouve mas vê-se (cumprimento com um movimento de dança). &#8211; Dab &#8211; Dab para ti também A esta altura, já imagino os meus filhos, ao lerem estes meus devaneios, a levarem as mãos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto destes dias soalheiros! A única coisa que peço, como diria a qualquer um que me entrasse porta adentro, é que quando chegarem peçam licença. Se não é muita areia para a minha cabeça, é muito pisca-pisca. Já sei que a Primavera só começa em Março. Todos os dias em que saio de casa penso que estamos no Inverno, claro, e toca a encasacar-me; a meio do dia preciso quase de uma mala para a roupa que levo porque já não aguento o calor. Ao sol, claro! À sombra é outra conversa! Verdade que só ao sol vejo o pessoal a “tostar”.<br />
Talvez seja um problema meu. Ou a falta do swag. Sim porque em casa tenho uma turma com muito swag, e um dos da turma pertence à ala dos que não põem casacos. Porque há varias categorias dentro do swag (se é que eu percebo alguma coisa do assunto). Mas quando se cruzam uns com os outros quase que só de t shirt não se ouve mas vê-se (cumprimento com um movimento de dança).<br />
&#8211; Dab<br />
&#8211; Dab para ti também<br />
A esta altura, já imagino os meus filhos, ao lerem estes meus devaneios, a levarem as mãos a cabeça umas quinhentas mil vezes&#8230; “O pai esta louco.” Não! Simplesmente ando nesta luta contra o frio, uma luta um pouco desigual, porque a única maneira de o combater é com muito poderio económico (muitos, muitos, muitos aquecedores e a tensão alta de dormir sobre a almofada a pensar na factura ao final do mês&#8230;). Também que falta de imaginação a nossa, já deveríamos ter aprendido a tolerar a não compra de casacos no Inverno, provavelmente o que ouviríamos seria aquilo que qualquer pai detesta ouvir dos seus bebés (13 e 15 anos), do género “quero lá saber”. Poupavam-se alguns tostões – ou não, porque depois acabamos por investir na farmácia.<br />
Claro que quando vejo o calor a chegar fico contente como todo o ser humano, desde que não sob a forma de picos de sol que em poucos tempo se transformam numa constipação ou numa gripe. Isto apesar de eu tentar ser um desportista saudável (uma voltinha de bicicleta aqui, uma corridinha ali ou uma caminhada acolá) .<br />
Pode ser que os “mercados” inventem um dia especial para eu celebrar estes Verões de Inverno.<br />
Entretanto, a luta continua.</p>
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